Saúde Mental dos Alunos: o papel das escolas, pais e profissionais da Saúde Mental
- Redação
- 16 de jun. de 2023
- 5 min de leitura

A Saúde mental dos adolescentes e crianças está cada vez mais em destaque no ambiente escolar, despertando a atenção de todos. Segundo o UNICEF, mais de 1 em cada 7 jovens entre 10 e 19 anos tem um Transtorno Mental diagnosticado, o que é alarmante e reforça a importância desse tema.
Durante muito tempo negligenciada por diversos setores da sociedade, incluindo muitos pais e escolas, esse tema tem suscitado o interesse mais recentemente, principalmente com a chacina ocorrida em Blumenau em abril deste ano de 2023. Os impactos do bem-estar psicológico dos estudantes são evidentes em seu desempenho acadêmico, desenvolvimento social e qualidade de vida.
A adolescência é um período essencial na formação da personalidade do indivíduo e as consequências dos transtornos mentais, bem como a ausência de abordagem e aconselhamento adequados aos adolescentes, podem gerar problemas a longo prazo e, muitas vezes, pode ter um fim trágico.
Por isso, é imprescindível promover ações de acolhimento e intervenção nas escolas, oferecendo aos alunos um espaço de acolhimento e orientação, caso necessitem. O objetivo é criar um ambiente de aprendizagem positivo e acolhedor, que se preocupe com a saúde mental dos estudantes.
Como cuidar da saúde mental das crianças e adolescentes?
Nesse desafio, a união entre escola, família e profissionais de Saúde Mental é a chave para o sucesso. E o caminho para iniciarmos esse processo passa pela informação.
Os pais e professores podem aprender a identificar possíveis sinais e sintomas apresentados pelos alunos que possam ser sugestivos de transtornos mentais. A partir daí, orientar a busca de ajuda por um profissional da saúde mental, principalmente psicólogos e psiquiatras.
A promoção de palestras nas escolas e na comunidade com temas de saúde mental e a inclusão desses assuntos nos currículos escolares, buscando a capacitação de pais e professores para o enfrentamento e correto direcionamento dos alunos caso haja necessidade, pode ser de grande ajuda.
Sabemos que os pré-adolescentes e adolescentes passam por muitos conflitos ao longo da vida e, muitas vezes, não possuem a resiliência necessária para lidar, de forma saudável, com esses problemas. Os adultos já passaram por essa fase e, ao longo dos anos seguintes, desenvolveram habilidades para lidar com estresse e situações desfavoráveis.
Entretanto, os adolescentes estão apenas no início dessa caminhada. É nessa fase que se engajam em contatos sociais mais profundos, seja de amizade ou amor, e os conflitos podem surgir. Nesse período também ocorre a maior necessidade de pertencimento a um grupo, e situações de bullying podem desencadear problemas atuais e futuros.
Muitos adolescentes também passam por um período de descoberta da sexualidade e identidade sexual, e isso pode trazer conflitos. Havendo espaço para aconselhamento e busca por ajuda, sabemos que (e as pesquisas comprovam isso) há menos desfechos negativos em saúde mental.
E quais seriam esses possíveis sinais e sintomas?
Primeiramente, a medicação é frequentemente prescrita como parte do tratamento dos transtornos mentais, com o objetivo de ajudar a tratar os sintomas, estabilizar o humor, reduzir a ansiedade, melhorar a concentração e diminuir hiperatividade, dentre diversas outras situações.
Bem, a percepção de mudança comportamental abrupta em um aluno, como, por exemplo, a queda grave do desempenho escolar em um aluno que anteriormente tinha boas notas, ou o surgimento de desinteresse pelos estudos em um aluno antes interessado, pode indicar possíveis prejuízos na saúde mental.
Muitas vezes, os primeiros sinais de um quadro depressivo podem incluir uma queda significativa no desempenho escolar, sonolência durante as aulas, afastamento dos amigos, irritabilidade frequente e até mesmo o uso de substâncias.
É importante lembrar que os quadros depressivos são comuns em crianças e adolescentes, e os sintomas apresentados por eles muitas vezes são diferentes daqueles observados em adultos e idosos com depressão. Muitas vezes, em vez de tristeza, o sintoma que mais aparece nos adolescentes é a irritabilidade.
Além disso, é importante não rotular esses sintomas como "aborrecência", "coisas da idade" ou simplesmente "forma de chamar a atenção". Podemos estar lidando com sintomas graves, e buscar a ajuda de um profissional pode ser decisivo para evitar o agravamento desses sintomas e até mesmo desfechos tristes, como o suicídio.
Um outro sintoma que pode ser sugestivo de problemas de Saúde Mental são as automutilações. Elas podem ser um sintoma presente dentro de um quadro de sofrimento que o adolescente pode estar enfrentando. A insônia e consequente sonolência diurna também pode ser um sinal de alerta para algo maior.
Não podemos deixar de lado aqui o alerta também para os pais que observam seus filhos passando longos períodos em jogos virtuais ou usando celulares, tablets e outros de forma excessiva. Esse abuso do uso de telas pode tanto ser um sinal de um transtorno mental quanto ser um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais.
Dentro das escolas, é hora de promover a educação socioemocional para os alunos aprenderem a identificar suas emoções e buscar ajuda. Os professores também devem receber treinamento para identificar sinais de problemas de saúde mental e encaminhar os alunos adequadamente.
É preciso quebrar o estigma associado às doenças mentais, e as escolas têm um papel fundamental nisso. Ao promover a educação sobre o tema, para alunos e educadores, podemos derrubar conceitos equivocados e cultivar empatia e compreensão.
A importância do acompanhamento terapêutico
O acompanhamento terapêutico, com profissionais da Saúde Mental, envolvendo o Psiquiatra e Psicólogo principalmente, desempenha um papel fundamental nesses contextos: compreender e tratar os transtornos mentais quando necessário, fornecendo aos pais orientações que podem ajudar na melhora desses sintomas.
Além de orientar a escola sobre algum tipo de mudança necessária no meio escolar para melhorar o engajamento do aluno nos estudos, como chamar a atenção para alguma situação que esteja causando piora da Saúde Mental de algum aluno.
Ir ao psicólogo ou psiquiatra deveria ser como ir a qualquer outro profissional de saúde, como por exemplo ir ao dentista (não vamos apenas quando temos uma cárie e sim para prevenir problemas de saúde bucal). Da mesma forma funciona o atendimento com um psiquiatra ou psicólogo, nem sempre indicando acompanhamento psicoterápico ou uso de medicamentos, mas orientando de forma técnica e segura os pais ou responsáveis pelas crianças e adolescentes.
Com uma equipe especializada, podemos identificar precocemente transtornos de ansiedade, depressão, TDAH, transtorno do espectro autista, dentre outros.
Através de avaliações e acompanhamentos regulares, é possível agir rapidamente, oferecendo suporte e tratamento especializado. Cuidar da saúde mental dos jovens é uma responsabilidade compartilhada por pais, escolas e profissionais da saúde.
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